A Polícia Federal realizou, nesta sexta-feira, uma operação de busca e apreensão em endereços ligados ao deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. Durante a ação, agentes encontraram uma quantia expressiva, mais de 400 mil, em dinheiro vivo no apartamento funcional utilizado pelo parlamentar, em Brasília.
A operação foi autorizada pelo Ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal e integra um inquérito que investiga o possível uso irregular de verbas da cota parlamentar, por meio de contratos simulados com empresas de fachada. Além do dinheiro apreendido, documentos e equipamentos eletrônicos também foram recolhidos para análise.
Segundo as investigações, há indícios de que recursos públicos destinados ao exercício do mandato teriam sido desviados e posteriormente ocultados, o que pode caracterizar crimes como peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Outros parlamentares e assessores também são citados na apuração, que segue sob sigilo.
Até o momento, não houve decretação de prisão, e a apreensão do dinheiro será analisada para apurar sua origem e eventual vínculo com os fatos investigados. A defesa do deputado ainda não apresentou esclarecimentos públicos detalhados sobre o caso.
A Polícia Federal informou que as investigações continuam e que o material apreendido será fundamental para o avanço das apurações. O caso reacende o debate sobre o uso das verbas parlamentares e os mecanismos de fiscalização do dinheiro público no Congresso Nacional.
O saldo da balança comercial chinesa superando a marca de um trilhão — ainda que os números variem conforme metodologia e contexto anual — funciona, no imaginário global, como um símbolo eloquente de uma trajetória econômica que não é fruto de acaso, mas de um projeto nacional de longo prazo. Mais do que estatísticas frias, esse desempenho monumental revela a potência de um país que soube articular planejamento estatal, capacidade produtiva e domínio tecnológico para reposicionar-se no centro da economia mundial.
A chamada “supremacia chinesa” não nasce apenas do volume de exportações, mas de uma estratégia que integrou investimento maciço em infraestrutura, incentivos industriais, educação técnica e inovação, criando um ecossistema produtivo capaz de operar com eficiência em praticamente todas as etapas da cadeia global. Ao contrário de nações que se contentaram em ocupar posições periféricas na Divisão Internacional do Trabalho, a China construiu deliberadamente sua ascensão, combinando pragmatismo político e ambição geoeconômica.
O superávit gigantesco simboliza esse movimento, pois revela que a China conseguiu transformar seu potencial produtivo em capacidade de ditar ritmos e padrões no comércio mundial. Cada contêiner que sai de seus portos reflete décadas de investimentos em manufatura avançada, logística integrada e políticas industriais que não se deixaram constranger por dogmas de mercado. É esse arcabouço que permite ao país avançar na transição para setores de alta complexidade — como semicondutores, energia renovável e veículos elétricos — mantendo competitividade mesmo diante de tensões comerciais e tentativas de contenção por parte de potências ocidentais.
Além disso, o acúmulo de superávits reforça o poder financeiro chinês, garantindo reservas cambiais colossais que servem não apenas como colchão de estabilidade, mas também como ferramenta de projeção internacional. Em outras palavras, o saldo comercial não é um fim em si, mas parte de um mecanismo que amplia a margem de manobra da China no tabuleiro geopolítico, permitindo-lhe desafiar estruturas tradicionais de poder.
Para muitos países, especialmente em desenvolvimento, o contraste é evidente: enquanto alguns aceitaram passivamente o papel que lhes foi atribuído, a China reescreveu sua própria trajetória. O superávit trilionário é, portanto, mais do que um indicador econômico — é a prova de que um Estado capaz de articular visão estratégica, planejamento e soberania política pode alterar a própria posição na hierarquia global.
Se existe hoje uma supremacia chinesa, ela não nasce da retórica, mas desses resultados concretos que se acumulam ano após ano, mostrando que o século XXI tem, cada vez mais, um centro de gravidade deslocado para o Oriente.
Há momentos na história em que a crise política deixa de ser um conflito institucional e passa a revelar algo mais profundo: a própria falência do vínculo entre povo e poder. O Brasil parece atravessar exatamente esse ponto crítico. A sucessão de choques entre Poder Executivo, Legislativo e Judiciário — cada qual movido por interesses próprios, ambições particulares e disputas por parcela maior do Estado — já não expressa uma defesa da Constituição ou da democracia, mas sim a guerra interna das elites pela condução do projeto nacional. Uma guerra que se tornou espetáculo, exposta em transmissões ao vivo, notas oficiais e discursos inflamados. E, como plateia, o país assiste. Mas assiste como? Assiste como sociedade de não cidadãos.
A noção de “não cidadão” não significa ausência de documentos ou de identidade legal. Significa algo mais profundo: a exclusão material e simbólica do povo das decisões que moldam seu destino. Trata-se de uma cidadania mutilada que só se manifesta no instante do voto, mas é silenciada no intervalo entre eleições, quando as elites travam suas batalhas privadas dentro das instituições públicas. Nas disputas por cargos, emendas, prerrogativas e blindagens, o povo é sempre o ausente — e, ao mesmo tempo, o maior afetado.
Essa condição de não cidadania se expressa de diversas formas. Aparece na falta de participação social real, reduzida a audiências públicas meramente protocolares. Manifesta-se na incapacidade das instituições de responder às necessidades elementares da população enquanto respondem rapidamente aos interesses dos grupos que as ocupam. E revela-se, sobretudo, no distanciamento emocional, no desencanto generalizado e na convicção crescente de que “nada muda”. Quando a política se torna um campo exclusivo das elites, a população deixa de se enxergar como sujeito histórico e passa a atuar apenas como espectadora — muitas vezes indiferente, outras vezes resignada.
O conflito permanente entre os poderes da República, vendido como crise institucional, é na verdade o reflexo dessa ruptura mais profunda. O que deveria ser sistema de freios e contrapesos virou disputa por território, por domínio e por sobrevivência das elites que se protegem e se enfrentam conforme a conveniência do momento. O Legislativo age para ampliar seus privilégios e enfraquecer o controle externo; o Executivo tenta esticar suas margens de ação em nome da governabilidade; o Judiciário, por sua vez, reivindica protagonismo político quando a ordem constitucional parece ameaçada. Nada disso tem relação direta com o cotidiano do povo, mas tudo isso molda sua vida.
O drama central está no fato de que, enquanto as elites guerreiam, a sociedade se acostuma à condição de plateia. Passiva, observa o país ser redesenhado sem sua participação — e por vezes sem sequer compreender em que medida essas disputas afetam sua própria existência. É a naturalização da exclusão: quando se espera tão pouco da política, a política se permite entregar cada vez menos.
O desafio, portanto, não é apenas resolver a crise entre os poderes, mas reconstruir o próprio sentido de cidadania. Significa fazer com que as pessoas deixem de ser espectadoras da história e retomem seu papel de protagonistas; que a participação não se limite ao voto, mas se expanda para mecanismos efetivos de controle social, deliberação pública e democratização do Estado. Só assim a guerra das elites deixará de definir o destino do país. E só assim o Brasil poderá superar essa longa era em que cidadãos foram transformados em não cidadãos — e em que o futuro nacional se tornou palco exclusivo de poucos, assistido pela maioria em silêncio.
Os movimentos recentes de Davi Alcolumbre no Senado não surgem do nada. Eles são expressão de uma mentalidade que se consolidou no Congresso brasileiro ao longo das últimas décadas e que atingiu seu auge durante o governo Bolsonaro: a lógica de um Parlamento habituado a lidar com presidentes de legitimidade fragilizada, governantes que dependiam profundamente de acordos internos e, portanto, eram tratados como versões modernas de presidentes biônicos.
O bolsonarismo, apesar do respaldo eleitoral de 2018, rapidamente produziu um governo incapaz de exercer liderança política real. A ausência de projeto, a conflituosidade permanente e a incapacidade de construir coalizões transformaram o Executivo numa espécie de ente tutelado, fragilizado, cativo de interesses parlamentares. O chamado “presidencialismo de delegação”, no qual Bolsonaro terceirizou a condução do país ao centrão, permitiu ao Congresso recuperar — e ampliar — uma lógica que remete às práticas autoritárias da ditadura: a sensação de que o Legislativo pode tudo, e o presidente, quase nada.
Nesse ambiente, figuras como Davi Alcolumbre florescem. Sua atuação recente — travando votações, condicionando sabatinas, distribuindo poder em trocas opacas — não é mero capricho pessoal. É o produto de um arranjo que fez do Senado um centro de controle informal do Executivo, sobretudo durante um período em que o presidente da República dependia quase inteiramente da boa vontade dos caciques parlamentares para sobreviver politicamente.
O governo Bolsonaro, ao abdicar das responsabilidades típicas de um chefe de Estado e de governo, deixou um vazio que o Congresso preencheu com voracidade. A normalização dessa hipertrofia legislativa levou muitos parlamentares a agirem como se tivessem mandato para tutelar o Executivo de forma permanente. Assim, práticas que deveriam ser exceções emergenciais se tornaram hábitos: chantagens veladas, boicotes estratégicos, negociações que lembram o exercício de poder de oligarquias políticas, e não de instituições republicanas.
Os atos de Alcolumbre, portanto, não são apenas expressão de ambição pessoal. São reflexo de um Congresso que se acostumou a lidar com presidentes politicamente enfraquecidos — e que, por isso, passou a confundir mecanismos de fiscalização com mecanismos de dominação. O período Bolsonaro consolidou esse padrão ao extremo, reforçando a ideia de que o Parlamento pode, sem pudor, capturar a agenda nacional e usar o desequilíbrio entre os poderes em benefício próprio.
Romper com essa herança é um dos maiores desafios da democracia brasileira. O país precisa reconstruir a normalidade institucional, restabelecendo limites claros entre controle e tutela, entre fiscalização e captura. Enquanto parte do Congresso continuar a agir sob a lógica dos “presidentes biônicos”, a política seguirá refém de caciques e de interesses corporativos, e não dos princípios republicanos que deveriam orientar a vida pública.
A realização da COP30 reacendeu, mais uma vez, o contraste entre a retórica diplomática dos governos e corporações e a indignação crescente da sociedade civil organizada. Os protestos que tomaram as ruas de Belém não surgiram como ruído secundário do evento, mas como demonstração explícita de que amplos setores sociais já não acreditam que as soluções apresentadas dentro das conferências internacionais sejam capazes de enfrentar a crise climática em sua profundidade. A crítica central é conhecida, mas ganha novo vigor: há um limite estrutural para qualquer proposta de “desenvolvimento sustentável” enquanto as economias permanecerem organizadas pelos imperativos do capitalismo contemporâneo.
De um lado, líderes estatais e executivos de grandes empresas reafirmam compromissos de neutralidade de carbono, planos de transição energética e metas de redução de emissões. Do outro, movimentos climáticos, organizações indígenas, juventudes urbanas e pesquisadores denunciam que tais metas são insuficientes, frequentemente baseadas em compensações de carbono pouco verificáveis e em mecanismos de mercado que transferem responsabilidade, sem reduzir efetivamente as emissões. Para os manifestantes, há uma contradição intransponível entre a lógica de acumulação — que exige expansão constante, abertura de novas frentes extrativas e aprofundamento de desigualdades — e a necessidade de conter o colapso ecológico.
Os protestos também revelaram as tensões específicas do contexto amazônico. Belém recebeu a COP30 como símbolo global de compromisso ambiental, mas a região continua sofrendo com o avanço do garimpo ilegal, do desmatamento e de megaprojetos que desconsideram modos de vida tradicionais. As vozes indígenas foram especialmente contundentes ao denunciar que o discurso de sustentabilidade, quando apropriado por governos e empresas, muitas vezes serve para legitimar práticas que mantêm a lógica colonial de exploração de territórios e corpos. Assim, a Amazônia transforma-se em vitrine diplomática ao mesmo tempo em que segue vulnerável ao capital predatório.
A insatisfação dos movimentos sociais não se limita ao diagnóstico ambiental: ela abrange também o modo como o capitalismo neoliberal captura a própria ideia de sustentabilidade. A crescente financeirização da natureza — com créditos de carbono, títulos verdes e portfólios ESG — cria uma ilusão de compatibilidade entre maximização de lucros e preservação ambiental. Entretanto, na prática, tais instrumentos tendem a reforçar desigualdades, privilegiando países e corporações capazes de moldar as regras e deixando comunidades locais com os custos sociais e ecológicos. O resultado é um modelo que promete conciliação, mas mantém intactas as estruturas que alimentam a crise climática.
Os protestos na COP30, portanto, cumprem uma função histórica: tensionam o horizonte político e denunciam que a crise climática não é apenas técnica ou gerencial, mas resultado direto de uma ordem econômica que transforma bens comuns em mercadorias e reduz ecossistemas a ativos. Ao afirmarem que “não haverá futuro possível dentro da lógica atual”, os manifestantes apontam para a necessidade de alternativas que ultrapassem a promessa limitada do desenvolvimento sustentável tal como formulado pelas instituições dominantes.
Em última instância, os protestos mostram que, na disputa entre a sobrevivência do planeta e a manutenção de um modelo econômico baseado na exploração ilimitada, o tempo se esgota rapidamente. A COP30, com toda sua diplomacia e seus consensos frágeis, expõe mais uma vez que a transição ecológica não será alcançada apenas por declarações de boa vontade, mas pela confrontação direta dos interesses que lucram com a crise. É nesse choque que se revelam, com nitidez, os limites do desenvolvimento sustentável no capitalismo — e a urgência de imaginar outros caminhos.
A história recente evidencia um contraste que se aprofunda a cada novo movimento geopolítico: de um lado, a elite brasileira, acomodada com o papel subordinado que as potências ocidentais reservaram ao país na Divisão Internacional do Trabalho; de outro, a China, cuja estratégia de desenvolvimento se apoiou em planejamento estatal rigoroso, disciplina industrial e uma clara vontade de disputar posições nos centros decisórios da economia mundial. O resultado, visível há décadas, manifesta-se novamente quando, apesar das tarifas que seguem penalizando produtos brasileiros, Pequim avança e firma um novo acordo com os Estados Unidos — o maior competidor e, simultaneamente, o maior parceiro econômico do gigante asiático.
O Brasil, por sua vez, permanece preso a uma lógica oligárquica que não mudou substancialmente desde o período colonial. A elite nacional parece satisfeita com um modelo econômico baseado na exportação de commodities e na dependência tecnológica, aceitando como natural seu papel periférico. Essa inércia estrutural produz uma economia vulnerável às oscilações externas, incapaz de competir em setores de ponta e permanentemente sujeita às decisões tomadas por outros países. A sobrevivência desse padrão não é fruto do acaso: é consequência da falta de projeto, de visão estratégica e, sobretudo, da falta de vontade política de romper com a subordinação.
Enquanto isso, a China trilhou um caminho inverso. Em menos de meio século, passou de país pobre e agrícola para uma das maiores potências industriais, tecnológicas e militares do planeta. Investiu pesadamente em infraestrutura, controla cadeias produtivas inteiras, desenvolveu tecnologia própria, tornou-se líder em energia renovável e inteligência artificial, e hoje disputa com os Estados Unidos a hegemonia global. Não foi sorte — foi trabalho tenaz, continuidade institucional e determinação.
O novo acordo entre China e EUA, enquanto tarifas prejudiciais ao Brasil persistem, ilustra um dado fundamental: o mundo se move pela força do interesse e da competitividade, não por declarações de boas intenções. A China age onde vê vantagem e retorno estratégico. Os Estados Unidos agem para conter, negociar ou ganhar tempo diante de um rival ascendente. E o Brasil? Fica na arquibancada, lamentando, enquanto sua elite celebra a comodidade de continuar fornecendo matéria-prima barata e importando produtos caros.
O episódio revela mais do que uma disputa comercial: escancara a ausência de um projeto de país. Enquanto nações com ambições globais se adaptam, investem e se reposicionam, o Brasil insiste em repetir velhas fórmulas, ainda preso ao pensamento colonial de que é suficiente “ocupar” o lugar que outros decidiram. Só que, num mundo que muda rapidamente, quem não disputa espaço simplesmente perde.
A comparação entre China e Brasil, portanto, é menos sobre cultura ou destino e mais sobre escolhas. A China escolheu ser potência. A elite brasileira escolheu ser satélite. Os resultados estão aí — e continuarão a aparecer, sempre em desfavor de quem prefere a preguiça estratégica ao trabalho de construir soberania.
As recentes chacinas ocorridas nas comunidades do Rio de Janeiro, sob a gestão do governador Cláudio Castro, escancaram a face mais cruel de um Estado que naturaliza a morte de pobres e negros em nome de uma suposta “guerra ao crime”. No entanto, o que chama ainda mais atenção é a manutenção de altos índices de aprovação de um governo marcado por tragédias humanas e políticas de segurança ineficazes. A explicação para esse paradoxo passa, inevitavelmente, pelo papel político e ideológico desempenhado por parte das igrejas — sobretudo as de orientação neopentecostal — na consolidação de uma sociedade cada vez mais fundamentalista e reacionária.
Nos últimos anos, setores religiosos deixaram de atuar apenas no campo espiritual para ocupar abertamente espaços de poder e influência política. No Rio de Janeiro, essa aliança entre fé e governo é visível: Cláudio Castro, ele próprio um político ligado a igrejas evangélicas, encontrou nesse segmento uma base eleitoral sólida e fiel. As lideranças religiosas, ao associarem o discurso da “ordem divina” à “ordem pública”, acabam por legitimar a violência estatal e transformar a repressão policial em instrumento moral de combate ao “mal”. Essa retórica, ao mesmo tempo mística e política, reforça uma lógica de inimigos e heróis: de um lado, os “homens de bem”; do outro, os “bandidos”, frequentemente identificados com a pobreza e a negritude.
O resultado é a formação de uma mentalidade coletiva que confunde religião com política, fé com obediência e justiça com vingança. O fundamentalismo religioso cria um terreno fértil para o autoritarismo, pois oferece respostas simples a problemas complexos — e, ao fazê-lo, anestesia a crítica social. Quando pastores e líderes espirituais se tornam cabos eleitorais, o púlpito transforma-se em palanque, e a Bíblia, em arma ideológica. Assim, a violência policial deixa de ser um escândalo moral e passa a ser interpretada como “instrumento divino” de purificação social.
Esse processo é agravado por uma crise de valores democráticos. Em vez de promover o diálogo, a solidariedade e a inclusão, muitos templos reproduzem um discurso de exclusão, culpabilizando as vítimas da violência e fortalecendo uma cultura de medo. Essa dinâmica contribui para a formação de uma sociedade reacionária, na qual o conservadorismo se confunde com fé e a obediência ao poder substitui o exercício da cidadania crítica.
Em síntese, a aprovação de Cláudio Castro em meio a chacinas e tragédias não é um acaso político, mas o reflexo de um projeto de poder sustentado pela aliança entre o Estado e setores religiosos que naturalizam a desigualdade e sacralizam a violência. Combater essa configuração não significa atacar a fé, mas resgatar o sentido emancipador da religião e o valor da democracia laica. Somente assim será possível romper com a lógica do medo e construir uma sociedade verdadeiramente justa, humana e solidária.
Em um momento em que o planeta volta a conviver com o fantasma da corrida armamentista, a China surge como uma voz de moderação e responsabilidade ao cobrar dos Estados Unidos e da Rússia contenção diante das recentes ameaças de retomada de testes com armas nucleares. A postura de Pequim contrasta com a retórica beligerante que volta a ganhar força nas grandes potências ocidentais e reforça a importância do diálogo e da diplomacia como instrumentos essenciais para a preservação da paz mundial.
Desde o fim da Guerra Fria, o equilíbrio nuclear tem se sustentado em grande parte por meio de acordos internacionais de não proliferação e pela moratória informal que impediu novas detonações experimentais. No entanto, a escalada de tensões geopolíticas entre Washington e Moscou — intensificada por conflitos como a guerra na Ucrânia e a disputa por influência no Oriente Médio — ameaça desmontar décadas de avanços no controle de armamentos. Nesse contexto, o alerta da China não é apenas prudente: é um chamado urgente à racionalidade.
Ao pedir que as duas maiores potências nucleares do planeta ajam com senso de responsabilidade, a China reafirma um princípio que deveria ser universal: nenhuma nação, por mais poderosa que seja, tem o direito de colocar a humanidade sob risco de aniquilação. O uso ou o simples teste de armas nucleares não é demonstração de força, mas de insensatez. Trata-se de uma ameaça direta à estabilidade global, aos tratados internacionais e ao meio ambiente, cujos efeitos de longo prazo são incalculáveis.
Pequim, ao adotar esse discurso, também busca se posicionar como ator central na defesa de um novo multilateralismo — baseado não na intimidação, mas na cooperação e no respeito mútuo. Essa postura, embora movida também por interesses estratégicos, revela uma compreensão mais madura da interdependência global. Num mundo marcado por crises climáticas, desigualdades e guerras, insistir em exibições de poder nuclear é um retrocesso moral e civilizatório.
Cabe à comunidade internacional apoiar o chamado chinês e reforçar os mecanismos de controle e fiscalização sobre armas de destruição em massa. A retomada de testes nucleares seria não apenas uma afronta aos tratados existentes, mas um golpe à esperança de um futuro pacífico. A China, ao exigir responsabilidade dos Estados Unidos e da Rússia, oferece ao mundo uma lição de equilíbrio e lucidez — virtudes cada vez mais raras em tempos de tensão e irracionalidade global.
A coincidência entre a recente chacina nas comunidades da Penha e do Alemão e o anúncio do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode cassar o mandato do governador Cláudio Castro (PL) evidencia o colapso ético e político que marca o atual governo do Rio de Janeiro. O episódio escancara não apenas a falência da política de segurança pública fluminense, baseada em operações policiais brutais e ineficazes, mas também o esgotamento de um modelo de poder que se sustenta na violência, no clientelismo e na desresponsabilização institucional.
A chacina — que somou dezenas de mortos, entre eles moradores e suspeitos — ocorreu sob o discurso recorrente de “combate ao crime organizado”, expressão que se tornou uma justificativa genérica para ações desproporcionais e letais em territórios pobres. Em vez de política de segurança, o que se vê é uma política de guerra. O Estado, incapaz de oferecer direitos básicos, como educação, emprego e moradia, aparece nas favelas apenas por meio da repressão, reproduzindo o ciclo de exclusão e violência.
Nesse contexto, o julgamento de Cláudio Castro no TSE ganha contornos simbólicos. O governador é acusado de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, em um esquema que teria envolvido o uso indevido de servidores e recursos públicos. O processo, portanto, não se restringe a uma questão jurídica, mas revela um modo de governar que normaliza a manipulação e a desigualdade como ferramentas de manutenção do poder.
É revelador que o mesmo governo que naturaliza chacinas e tenta justificar o inaceitável também enfrente acusações de corrupção e irregularidades eleitorais. Ambos os fenômenos — a violência policial e o autoritarismo político — são faces de uma mesma lógica: a de um Estado que se vê acima da lei e que age contra os mais vulneráveis.
A eventual cassação de Cláudio Castro não resolverá, por si só, a crise fluminense. Mas pode representar um ponto de inflexão moral e político. O Rio de Janeiro precisa romper com a cultura da impunidade e da violência institucional. A reconstrução do Estado passa necessariamente por uma política de segurança que reconheça os moradores de favelas como cidadãos e por uma política eleitoral que se fundamente na ética e na legalidade.
Enquanto o TSE se prepara para julgar o destino do governador, as periferias continuam a enterrar seus mortos. O tribunal, mais do que decidir o futuro de um político, julgará também o limite da tolerância da sociedade com um governo que fez da tragédia um método e da violência uma rotina.
O Rio de Janeiro vive, mais uma vez, o colapso de sua própria tragédia. A recente onda de violência, com cerca de 130 mortes em apenas alguns dias, escancara a falência completa do modelo de segurança pública adotado pelo governo Cláudio Castro — um modelo baseado quase exclusivamente na repressão policial, sem qualquer política consistente de inclusão social, prevenção da violência ou reconstrução comunitária. O que se vê nas ruas é o retrato de um Estado ausente, que só aparece nas favelas por meio do cano de um fuzil.
O discurso oficial do governo, centrado na “guerra ao crime”, tem se revelado um pretexto para operações brutais que ceifam vidas indiscriminadamente, transformando comunidades inteiras em zonas de combate. A lógica militarizada da segurança pública ignora o fato de que as causas da violência no Rio são estruturais — nascem da desigualdade, do desemprego, da exclusão e da falta de políticas públicas efetivas. Ao insistir em uma política de morte, Cláudio Castro reafirma a opção por um Estado que mata antes de escutar, que invade antes de dialogar.
As 130 mortes registradas não podem ser tratadas como “efeitos colaterais” de um suposto combate ao crime organizado. Elas representam o preço de uma política fracassada, que não busca proteger a população, mas sim demonstrar força e controle em meio à barbárie. As favelas continuam reféns do tráfico e das milícias, enquanto o Estado se limita a intervenções pontuais, espetaculares e ineficazes — ações que alimentam o ciclo de violência, em vez de interrompê-lo.
Imagem: Agência Brasil
A falência do governo de Cláudio Castro não é apenas administrativa; é moral e política. Quando o Estado naturaliza o extermínio de seus cidadãos, principalmente os pobres e negros das periferias, ele rompe o pacto democrático e revela seu viés autoritário. A ausência de políticas de geração de emprego, de acesso à educação, de urbanização e de fortalecimento da cidadania cria o terreno fértil para a criminalidade — e nenhuma operação policial é capaz de resolver aquilo que nasce do abandono social.
O que o Rio vive hoje não é apenas uma crise de segurança, mas uma crise de Estado. A guerra nas ruas é o reflexo de décadas de omissão e descaso, agora intensificados por um governo que aposta na violência como instrumento político e na morte como estatística. Diante das 130 vidas perdidas, a sociedade fluminense precisa questionar: quantas mais serão necessárias até que o poder público reconheça que segurança não se constrói com balas, mas com direitos?
Imagem: Jornal da Unesp
Enquanto Cláudio Castro se esconde atrás do discurso da ordem, o Rio de Janeiro sangra. E cada corpo tombado é a prova de que o verdadeiro inimigo não está apenas nos morros, mas no Palácio Guanabara — onde a inércia, o autoritarismo e a irresponsabilidade política decretaram a falência moral de um governo que já perdeu qualquer legitimidade para falar em segurança pública.
O Rio de Janeiro viveu hoje mais um capítulo de sua longa e dolorosa guerra urbana. A megaoperação policial deflagrada nos complexos da Penha e do Alemão, que resultou em mais de sessenta mortos, não é apenas um evento de segurança pública — é um retrato cruel da falência do Estado em garantir direitos, promover cidadania e mediar conflitos sociais de maneira legítima. O que se vê nas ruas da capital fluminense é menos uma ação de controle do crime e mais um sintoma de um país que normalizou o uso da violência como instrumento de governo.
Sob o discurso do “combate ao narcotráfico”, o poder público reafirma uma lógica militarizada que há décadas se mostra ineficaz. A retórica oficial — de “retomar territórios” e “impor a presença do Estado” — esconde o fato de que o Estado só aparece nas favelas com armas em punho, tanques nas ruas e helicópteros sobrevoando as casas. O resto do tempo, essas comunidades permanecem abandonadas, sem escolas de qualidade, saneamento, postos de saúde ou oportunidades de emprego. A ausência de políticas públicas é o terreno fértil onde o tráfico e as milícias se reproduzem.
A operação desta segunda-feira escancara também a seletividade da violência. As vítimas são, em sua esmagadora maioria, jovens, negros e pobres — o perfil que há muito tempo define quem pode morrer sem comoção nacional. As estatísticas de letalidade policial no Rio reforçam esse padrão: o estado lidera o ranking nacional de mortes causadas por agentes de segurança, e a impunidade ainda é regra. Quando a política de segurança se traduz em corpos, o que se perpetua é uma necropolítica — uma gestão da morte que escolhe quais vidas têm valor e quais podem ser descartadas em nome da “ordem”.
A cada operação “bem-sucedida” do ponto de vista do governo, o ciclo da barbárie se renova: moradores traumatizados, crianças sem aula, famílias destruídas e territórios ainda mais dominados pelo medo. A ausência de uma política social estruturante transforma o enfrentamento armado em espetáculo, e a guerra diária no Rio se converte em narrativa política — útil para governantes que lucram eleitoralmente com o medo e a sensação de caos.
O problema é que essa guerra não tem vencedores. O tráfico e as milícias se reconfiguram, o Estado se deslegitima e a população pobre continua entre o fogo cruzado. Enquanto a segurança for tratada como guerra e não como política pública, o Rio permanecerá refém de um modelo que naturaliza o extermínio e transforma a tragédia cotidiana em rotina.
A verdadeira paz não virá do barulho dos fuzis, mas do silêncio das desigualdades resolvidas — do dia em que o Estado chegar primeiro com escola, emprego e dignidade, e não com caveirão e munição. Até lá, a “guerra do Rio” seguirá sendo, mais do que um problema policial, uma ferida aberta na democracia brasileira.
Na madrugada de
segunda-feira, 27 de outubro de 2025, o bairro de Costa Barros, Zona
Norte do Rio de Janeiro, foi palco de mais um capítulo da guerra urbana
que marca a cidade. Um confronto entre as facções Comando Vermelho (CV) e
Terceiro Comando Puro (TCP) no Complexo da Pedreira resultou em pelo
menos quatro mortos — dois moradores, entre eles uma idosa de 60 anos, a
Marli Macedo dos Santos. (Termômetro da Política)
O que se passou
Segundo relatos da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMRJ), criminosos do CV partiram do Complexo do Chapadão para invadir o território do TCP no Complexo da Pedreira. A reação violenta incluiu intenso tiroteio e até uso de granadas. (RedeTV!)
No meio da fuga, dois dos invasores invadiram uma casa residencial. Dentro dela, Marli foi feita refém e acabou baleada. (O São Gonçalo)
Paralelamente, um dos moradores, o Elison Nascimento Vasconcelos, de 33 anos, foi atingido quando saía de um pagode e não resistiu. (Termômetro da Política)
Além das mortes, apreenderam-se sete fuzis, seis carros roubados e houve prisões de suspeitos. (Politiza Brasil)
No mesmo dia, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro reabriu a Unidade de Pronto Atendimento Costa Barros (UPA) — que havia ficado fechada por quase um mês em razão da insegurança — em meio ao tiroteio, com funcionários abrigando-se durante disparos. (O Dia)
Dimensões e consequências sociais
O episódio ilustra de forma brutal algumas das facetas da violência urbana no Rio de Janeiro, que vão muito além de estatísticas pontuais:
Território e Estado paralelo
A disputa entre facções ocorre em locais onde o Estado formal — segurança pública, controle institucional, acesso a serviços — se mostra fragilizado. Quando grupos armados disputam domínios e a tensão se transfere para dentro de residências, com vítimas alheias à contenda, fica claro que o controle estatal é precário.
Vitimas invisíveis, cotidiano interrompido
A morte de uma senhora dentro da própria casa, ou de um morador que apenas participava de uma festa, revela que o “risco” não atinge apenas quem faz parte da guerra — atinge quem vive em seu entorno, quem deveria estar protegido. O susto, o pânico, o viver sob a sombra de balas ou bloqueios passa a fazer parte da rotina.
“Depois de um tempo escutando dá para ter uma noção do que é uma 12, um AK e um FAL ou pistola” — relato em fórum sobre o cotidiano de tiroteios no Rio. (Reddit)
Serviços públicos fragilizados pela insegurança
A UPA que reabre sob os tiros é símbolo de uma contradição: serviços essenciais funcionam onde a violência não dá trégua. A área médica, tão necessária em contextos vulneráveis, convive com o risco alto. Funcionários e moradores sabem que o atendimento pode ser interrompido por razões de segurança — o que agrava as desigualdades.
Estigmatização e mobilidade limitada
As comunidades afetadas veem seu cotidiano e suas oportunidades reduzidas: acesso a transporte, comércio, saúde, educação — tudo se condiciona ao cenário de insegurança. A valorização imobiliária, o investimento em infraestrutura, a mobilidade social ficam restritos. O custo humano e material da violência impacta as gerações futuras.
Falta de perspectiva estrutural
Os tiroteios são manifestações violentas de problemas mais profundos: desigualdade social, falta de oportunidades, ausência de políticas públicas eficazes, precariedade da segurança, da justiça, da regeneração urbana. Enquanto as respostas se limitarem a ocupações esporádicas ou operações policiais, o padrão tende a se repetir.
Um olhar crítico necessário
Este incidente em Costa Barros exige que se vá além do registro jornalístico do número de mortos, feridos ou armas apreendidas. Ele demanda questionamento:
Quem venceu e quem perdeu? No fim, perderam os moradores, que viram sua casa virar linha de tiro.
Qual o papel do Estado? Se assumir território significa apenas reagir a tiros, sem presença cidadã, o espaço continua vulnerável.
Qual o custo para quem vive ali? A morte, sim, é o extremo. Mas o trauma, a interrupção da vida normal, o medo constante são danos invisíveis que moldam a existência desses cidadãos.
Qual a saída? Nenhuma política de segurança que ignore as raízes econômicas, as condições de moradia, a falta de escolaridade e emprego terá efeito duradouro. A “paz armada” nas favelas e periferias só se sustenta com justiça social.
Conclusão
O tiroteio em Costa Barros, nessa segunda, não é apenas mais uma ocorrência policial. É um retrato agudo de uma cidade que convive com zonas de guerra urbana, onde o Estado e a sociedade se medem mês após mês em termos de presença ou ausência. Em frente às estatísticas, sobram vidas marcadas, casas invadidas, medos que não se encerram com o nascer do dia.
Enquanto a narrativa dominante permanecer centrada na resposta emergencial — “fuzis apreendidos”, “prisões realizadas” — sem investir no reparo profundo da tessitura social, a próxima madrugada encontrará outros tiros, outros moradores reféns no próprio lar, e outra UPA reabrindo sob desconfiança. Até quando?
Cabo do 1º Batalhão da Polícia Militar em Santo Amaro, na zona
sul de São Paulo, o PM Marco Aurélio Bellorio trabalhou uma noite
inteira, das 18h30 às 7h. Ele conta que, de manhã, foi convocado por seu
comandante para participar de uma reunião no templo da Igreja Universal do Reino de Deus, na avenida João Dias, no mesmo bairro. Bellorio, que é católico, se recusou.
Foi punido e respondeu a um procedimento disciplinar interno.
Indignado, o PM entrou com ação na Vara do Juizado Especial de Taboão da
Serra, na Grande São Paulo, e pediu indenização por dano moral por ter
sido obrigado a participar de reuniões no templo evangélico.
Ele alegava que houve abuso de poder e sua liberdade de crença não
fora respeitada. A justiça negou o pedido em junho do ano passado, e
acatou a justificativa do governo paulista de que a Igreja Universal
apenas estaria cedendo o seu templo para a realização de reuniões e
esses encontros não fariam referência a qualquer religião específica. O
PM recorreu, mas sem sucesso.
A recusa de Marco Bellorio de comparecer ao templo da Universal
ocorreu em janeiro de 2020. Agora, cinco anos depois, o processo
disciplinar contra ele foi reaberto depois da derrota que ele teve na
justiça. O PM, que continua na ativa, foi comunicado no início de
julho.
“O superior, quando quis me punir, perguntou quem eu achava que era.
Eu falei que sou um cidadão, um funcionário público. E não sou obrigado a
ficar ouvindo pastor. Eu vivo num estado democrático de direito. Apesar
de ser militar, e ter de cumprir ordens, não quero ouvir. Aí, ele ficou
me medindo”, contou Bellorio ao Intercept Brasil.
O PM, de 44 anos, formado em Direito e em licenciatura em Educação
Física e História, foi transferido para o trabalho na área
administrativa. Ele diz ter sofrido “perseguição interna velada” por
meio de várias transferências, mudanças de horários e ameaças de
superiores por causa de suas posições.
Em consequência, conta que teve problemas de saúde mental, desgaste
emocional e crises de ansiedade e depressão. No momento, faz tratamento
psiquiátrico, mas diz que a PM não admite os seus problemas de saúde.
Outros PMs vivem problemas parecidos na corporação. “Eu sou ateu e me
recusei a participar dessas reuniões com pastores porque eu não
concordo com isso”, me disse o soldado Marcelo, que trabalha em um
batalhão da PM na capital paulista.
“Quando os pastores chegam lá no batalhão de manhã, eu saio. Vão
sempre lá fazer um café da manhã. E, às vezes, tem reunião no templo.
Mas eu não vou. Sei que não sou bem visto pelos meus superiores por
isso. Tem colega que me chama de vermelho, de comunista, embora eu não
fique manifestando minhas posições políticas. Todos sabem, porém, que eu
sou ateu e de esquerda”, afirma Marcelo. “Eles levam uns livrinhos de
religião lá, mas ninguém pega. Os policiais dizem que não serve pra nada
isso, mas vão para não criar problema. Eu não vou porque não sou da
religião e não quero”, completa.
Bellorio e Marcelo são dois dos PMs de São Paulo que ousaram desafiar
a obrigatoriedade imposta por comandantes da Polícia Militar para que
seus subordinados compareçam às reuniões em templos da Igreja Universal
do Reino de Deus, liderada pelo bispo Edir Macedo. Esses encontros têm
se tornado cada vez mais frequentes e já se espalham atualmente por todo
o país.
O Interceptjá denunciou a doutrinação de policiais por pastores da Universal em reportagem de maio de 2023.
Soldados e cabos de batalhões inteiros da Polícia Militar, fardados e
usando carros de suas corporações – muitas vezes em horário de serviço e
outras em horários de folga – passam horas no interior de templos da
Universal ouvindo pregação de pastores. Em geral, os encontros duram em
torno de quatro a seis horas. Ao final, há uma oração e depois um
discurso do comandante do batalhão.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo diz que a Polícia
Militar e a Polícia Civil fazem “parcerias pontuais” para “utilização de
espaços”, sem qualquer tipo de convênio formal com entidades
religiosas. “Essas iniciativas são esporádicas, não envolvem nenhum
custo ao erário ou vínculo ideológico, político ou religioso”, afirmou a
secretaria, em nota.
“As forças policiais de São Paulo são instituições de estado que
atuam em plena conformidade com a Constituição Federal e com a
legislação estadual, respeitando integralmente a liberdade de crença e a
diversidade religiosa dos milhares de profissionais que integram seus
quadros”, argumenta.
O governo e a Secretaria de Segurança não responderam às perguntas do
Intercept sobre os casos citados na reportagem. Também não explicaram
se esses encontros poderiam ser realizados em espaços cedidos
eventualmente por uma religião de matriz africana, caso alguma delas
oferecessem.
“No meu batalhão, vi uma vez um colega que era da umbanda fazer um
ritual dele no quartel, uma oferenda, e ser chamado para dar explicação
ao comandante. Ele respondeu que se o pastor podia ir lá orar, ele
também podia fazer a sua manifestação”, contou o PM Marcelo.
Em 2023, mapeamos mais de 70 encontros organizados pela igreja de
Edir Macedo, por meio do projeto Universal nas Forças Policiais, o UFP,
criado em 2018.
Os eventos iam de pregação para as tropas fardadas nos templos a
cafés da manhã, orações, bênçãos e participações de pastores em eventos
de PMs, bombeiros, agentes da Polícia Federal, do Exército e da
Aeronáutica em 24 estados do país, além do comparecimento de religiosos
em solenidades de troca de comando com a cúpula das instituições.
Por meio da Lei de Acesso à Informação, as secretarias de segurança e
as polícias envolvidas nos eventos foram questionadas sobre o efetivo
empregado, o que era feito nestes encontros e a existência de convênios e
contratos com a Universal. Nem todos responderam – mas todos os
retornos indicaram que as parcerias são feitas sem acordo formal, com
respostas contraditórias sobre o conteúdo oferecido nessas reuniões.
De 2023 a 2025, o número de encontros desse tipo aumentou. Em fevereiro, 2,5 mil policiais militares de São Paulo estiveram em reunião na sede
da Igreja Universal no bairro do Brás, região central de São Paulo,
para escolher suas vagas de trabalho no início do ano e conhecer os
locais nos quais foram classificados para atuar nas unidades militares
na capital paulista e no interior.O encontro durou 12 horas, das 7h às 19h.
O pastor capelão Roni Negreiros, responsável pelo projeto UFP, falou
sobre a necessidade de os policiais “renovarem a mente e equilibrar a
emoção e a razão no seu dia a dia”.
Citando a referência bíblica Romanos, capítulo 12, versículo dois, o
pastor afirmou: “E não vos conformeis com este mundo, mas sede
transformados pela renovação do vosso entendimento, para que
experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.
Inquérito para apurar doutrinação está em andamento no DF
O promotor Flávio Milhomem, da 3ª Promotoria da Justiça Militar do
Distrito Federal, pediu, em fevereiro do ano passado, uma investigação
sobre denúncia de que policiais militares estariam sendo obrigados a
participar de um evento de formatura na sede da Universal na Asa Sul.
O promotor solicitou, inclusive, o afastamento do tenente-coronel
Rodrigo da Silva Abadio, que teria imposto a obrigação de comparecimento
a cabos e soldados. Foi aberto um inquérito na Polícia Militar do DF,
que ainda está em andamento, informou o Ministério Público do Distrito
Federal.
Em São Paulo, o deputado estadual Paulo Reis, do PT, encaminhou logo
após a denúncia do Intercept representações ao Ministério Público
Federal e ao Ministério Público de São Paulo pedindo a apuração e
providências sobre o deslocamento de PMs, em horário de serviço, aos
templos da igreja. O Ministério Público Federal alegou que a competência
para a apuração era da esfera estadual.
O MP de São Paulo arquivou o pedido ao não ver “irregularidade
vislumbrada”, conforme informou ao deputado. Considerou também
“suficiente” a justificativa da Polícia Militar paulista de que a
Universal apenas cede o local para as reuniões com policiais “sem
nenhuma vinculação com a prática religiosa”, como avaliou o procurador
Saad Mazloum, do Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo,
ao contrário do que dizem os policiais e ex-policiais.
Ex-PM e policial civil licenciado, o deputado Reis diz que a Universal, que já driblou a lei para contratar policiais militares como seguranças, está sendo beneficiada com essa decisão do governo de realizar eventos da polícia em seus templos.
“O estado é laico. Então, que o governo, ao menos, fizesse uma
licitação, uma concorrência pública. E a igreja que ganhasse o certame,
ficaria encarregada de cuidar dos policiais militares. É uma ironia,
claro, mas o governo não tem de estar atrás de igrejas para poder fazer
suas reuniões. O estado tem os seus estabelecimentos e equipamentos
próprios”, observa o deputado.
O ex-PM Leandro Prior, que integrou os quadros da Polícia Militar de
São Paulo entre 2014 e 2021, é mais um crítico dos encontros religiosos
em quartéis. Segundo ele, sempre houve nessas reuniões orações e
menções bíblicas.
“Isso não é de hoje e vem se aprimorando, cada vez é mais forte e se
espalha pelo país. Os praças (policiais) não gostam, nunca gostaram. A
igreja tenta passar a ideia de que é um culto ecumênico, como se todas
as religiões fossem contempladas, mas não é nada disso. Ali, há uma
captação da tropa”, critica Prior, atualmente coordenador da Setorial de
Segurança Pública do Diretório Estadual do PT em São Paulo.
Prior, que diz ter pedido exoneração da PM ao alegar perseguição em
razão de suas posições políticas e por ser homossexual, diz que a
Universal consegue cooptar apenas alguns soldados, “muitos que têm
problemas de depressão e ansiedade e estão perdidos, e chegam até a usar
psicotrópicos e ter tendências suicidas, como os próprios comandantes
têm conhecimento”.
Para o cientista político Guaracy Mingardi, doutor pela USP e
ex-investigador de polícia, é errado a PM obrigar ou instigar policiais a
comparecer a reuniões em templos religiosos. “Qualquer indivíduo,
militar ou não, tem o direito de seguir a religião que quiser, mas o
policial não pode frequentar cultos ou missas fardado e de forma
organizada, enquanto corporação. Se ele quiser ir, é problema dele. Mas
ser obrigado a ir, pressionado, é completamente errado. Está totalmente
fora de qualquer legislação, mesmo a militar. Ninguém é obrigado a ter
uma religião específica”.
“Quando um comando de companhia obriga o policial a ir, ele tem de
ser processado. Não temos uma religião obrigatória no país. A ideia da
Constituição foi exatamente essa”, diz. “O servidor público tem de estar
aberto para qualquer coisa, pois a população tem várias crenças
diferentes”.
Número de capelães da Universal nas polícias é quase o mesmo de padres católicos no Brasil inteiro, segundo pastor
O projeto Universal nas Forças Policiais diz ter como objetivo a
prestação de “assistência espiritual, social e de valorização humana aos
integrantes das forças de segurança pública, Forças Armadas e seus
familiares”, segundo Roni Negreiros, que é pastor e também major da
Polícia Militar do Maranhão. Ele foi capelão militar no estado por 18
anos. A função de um capelão é dar apoio espiritual a militares em
quartéis.
Negreiros afirma que a Universal conta hoje com 20 mil capelães no país.Para ter uma ideia da força,
esse é quase o mesmo número de padres da Igreja Católica inteira no
país – 22 mil, além de 500 bispos, segundo a Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil, a CNBB, entidade máxima dos católicos no Brasil. Ainda
predominantes no país, os católicos representam 56,7% da população,
enquanto os evangélicos somam 26,9%, segundo o último censo do IBGE.
A CNBB diz não saber quantos capelães católicos estão atualmente em atividade no país. Para citar um exemplo,
as Forças Armadas no Brasil contam com 162 padres e 67 pastores atuando
como capelães militares, de acordo com a Força Aérea Brasileira.
As ações da Universal desenvolvidas principalmente com as polícias
militares foram ampliadas também para outras corporações, como a Polícia
Civil, Polícia Federal, guardas metropolitanas, Exército e Aeronáutica
em todo o país.
Com essas outras forças de segurança, foram privilegiadas as visitas
às sedes das corporações, cafés da manhã, participações em solenidades e
trocas de comando e convites para policiais visitarem o Templo de
Salomão, o monumental centro religioso construído pela Universal no
Brás, em São Paulo.
Agora, a estratégia pode estar se ampliando para outras denominações evangélicas, como a Assembleia de Deus do ministério Madureira.
Foi depois de uma reunião no templo dessa igreja no bairro de Jardim
Alvorada, em Itapecerica da Serra, na grande São Paulo, que um soldado
da Polícia Militar de São Paulo morreu no dia 28 de maio.
Ronaldo Venâncio da Silva, de 33 anos, sofreu um acidente de moto na
rodovia Régis Bittencourt quando retornava para casa depois de trabalhar
das 19h30 do dia anterior até às 7h30 do dia seguinte. Em seguida, ele
teria sido obrigado a comparecer ao encontro na igreja.
Ficou 18 horas à disposição da PM e, cansado e sem dormir, acabou
sofrendo o acidente, denunciaram colegas. A Polícia Militar disse, em
sua nota, “lamentar profundamente o ocorrido” e informou que uma
sindicância aberta para apurar os fatos está em andamento.
Procurada, a Convenção Nacional das Assembleias de Deus Madureira não
respondeu se, de fato, tem feito parcerias com instituições militares,
como a Universal. A Igreja Universal também não respondeu às perguntas
enviadas.
Jair Bolsonaro acordou nesta segunda-feira, 4, livre, sendo apenas
ex-presidente da República. Terminou o dia em prisão domiciliar. Seguirá
usando tornozeleira eletrônica, está proibido de receber visitas que
não sejam de advogados e familiares próximos e teve todos os celulares
de sua casa recolhidos pela Polícia Federal. O motivo é um só:
reincidência.
Não há exagero na palavra. Reincidência. Bolsonaro infringiu, mais
uma vez, as regras impostas pelo Supremo Tribunal Federal, o STF – e o
fez de maneira deliberada, cínica, quase desafiadora. Mesmo proibido de
usar redes sociais, quis seguir protagonista da cena política virtual
por meio dos perfis de seus filhos.
Em uma operação que mistura desobediência calculada e esperteza de
adolescente, Bolsonaro achou que poderia burlar o Judiciário se não
fosse ele, com os próprios dedos, a apertar “publicar”.
Mas a decisão do ministro Alexandre de Moraes não se resume a um
tecnicismo sobre contas em redes sociais. O despacho é direto ao
qualificar a gravidade do que foi feito: o conteúdo veiculado por
Bolsonaro, através dos filhos, tinha “claro conteúdo de incentivo e
instigação a ataques ao STF e apoio ostensivo à intervenção estrangeira
no Poder Judiciário brasileiro”.
Em outras palavras, o ex-presidente voltou a flertar com a sabotagem
institucional e tentou internacionalizar sua cruzada autoritária,
justamente num momento em que os Estados Unidos impuseram sanções contra
Moraes.
Não há como dissociar a prisão domiciliar decretada nesta segunda dos
episódios anteriores: o 8 de Janeiro, os decretos de golpe, as reuniões
golpistas no Alvorada, as joias sauditas contrabandeadas, os ataques
sistemáticos à urna eletrônica, o escárnio diante das mortes na
pandemia. Tudo isso é parte de um mesmo projeto de poder que continua em
curso – mesmo depois da derrota eleitoral.
Desde que foi proibido de usar redes sociais, Bolsonaro não se calou.
Apenas trocou de boca. Passou a usar as vozes dos filhos, das deputadas
da tropa de choque, dos pastores aliados, dos youtubers ressentidos.
Moraes entendeu o truque e decidiu que, se não é possível impedir
Bolsonaro de falar, é preciso impedir Bolsonaro de conspirar.
Que fique claro: o sistema de justiça brasileiro não é infalível. A Vaza Jato, publicada pelo Intercept Brasil,
mostra que ele já foi capturado por interesses políticos, manipulado
por procuradores midiáticos, instrumentalizado por setores da elite.
Mas Bolsonaro tem uma habilidade rara: ele testa o limite até que não
haja alternativa a não ser puni-lo. E faz isso com um misto de
arrogância e tática de vitimização. Sabe que, quanto mais punido for,
mais mártir será.
A prisão domiciliar de hoje é, portanto, o resultado lógico da
escolha de um homem que decidiu não respeitar as regras do jogo
democrático – nem mesmo as impostas por sua própria condição de
investigado.
A pergunta que se impõe, diante disso, não é se Moraes exagerou. É a
seguinte: o que mais seria necessário para que uma prisão fosse
decretada? Até quando o Estado de Direito precisaria ser rasgado antes
que o Judiciário respondesse? Bolsonaro pediu. Moraes só atendeu.
O Irã voltou a bombardear o território de Israel agora a noite, deixado três mortos. Até agora já são onze mortos. Socorristas estão, neste momento, em busca de vítimas nos escombros. Os ataques iranianos são respostas devidos aos ataques de Israel contra o Irã na última sexta-feira, que resultou na morte de civis, cientistas e militares iranianos. Israel segue aumentando as tensões no Oriente Médio, e há avaliação de que os objetivos dos ataques israelenses buscam ofuscar as negociações nucleares entre o Irã e os EUA. No entanto, é importante lembrar que Benjamin Netanyahu enfrenta dificuldades para se manter no poder em Israel, havendo avaliações por parte de observadores internacionais de que a escalada nas tensões no Oriente Médio facilitariam nas reduções das dificuldades políticas para Netanyahu em Israel.
Há relatos de que Benjamin Netanyahu teria fugido para a Grécia.
A temperatura da superfície global de maio de 2025 foi de 1,10oC
(1,98oF) maior do que a média do século XX. Este foi o segundo maio mais
quente desde que os registros da NOAA começaram em 1850 (176 anos).
Apenas maio de 2024 foi mais quente, com uma temperatura 0,08oC (0,14oF)
maior que 2025. A temperatura da superfície global de maio de 2025 foi
de 0,10oC (0,18o F) maior do que em 2020, que atualmente detém o
terceiro mais quente maio já registrado. Maio de 2020 marcou
notavelmente a primeira vez que uma temperatura de maio atingiu 1,0oC
(1,8o F) acima da média do século 20. Os dez Mays mais quentes já
registrados ocorreram desde 2014. Em maio de 2025 também marcou o 49o
maio consecutivo com temperaturas globais acima da média.
A temperatura global da superfície terrestre para maio de 2025 também
foi a segunda mais alta no recorde de 176 anos, com uma temperatura de
1,61oC (2,90o F) maior do que a média do século XX. Maio de 2024 foi o
mais quente já registrado, com uma temperatura de 1,63oC (2,93oF) acima
da média. A temperatura global da superfície de maio foi de 0,88oC
(1,58oC) maior que a média – também a segunda mais alta para maio no
recorde de 176 anos. Apenas maio 2024 foi mais quente (+0,98oC /
+1,76oF).
A Oscilação El Ni'o-Sul (ENSO), um fenômeno climático que pode afetar
os padrões climáticos globais e influenciar as temperaturas globais,
persistiu em uma fase neutra (o que significa que nem o El Nino nem o La
Nina estavam presentes) durante maio de 2025. De acordo com o Centro de Previsão Climática da NOAA, o ENSO-neutro provavelmente continuará durante o verão do Hemisfério Norte (inverno do Hemisfério Sul).
As temperaturas de maio foram muito mais quentes do que a média em
grande parte do globo, em particular na maioria das áreas oceânicas e
partes de todos os continentes. As temperaturas foram mais notáveis no
norte da América do Norte, nas partes central e sul da América do Sul,
nas Ilhas Britânicas e no oceano circundante, no norte e sudoeste da
Ásia, e em grande parte da Antártida e da região ártica, onde as
partidas de temperatura eram de + 1,5oC / 2,7oC ou mais. Apesar do calor
incomum em grande parte do globo, as temperaturas recordes foram
limitadas a partes da região do Ártico, as Ilhas Britânicas e o oceano
circundante, o sudoeste da Ásia, em partes do oeste do Oceano Indico, no
Oceano Pacífico ocidental e em uma pequena área no México. No geral,
aproximadamente 7% das superfícies do mundo tinham uma temperatura
recorde de maio. Esta porcentagem é a segunda mais alta já registrada
para maio, após o recorde de 15% estabelecido em maio de 2024.
Temperaturas mais frias do que a média de maio foram observadas em
toda a índia, partes do norte do Oceano Atlântico, leste e sudeste do
Oceano Pacífico, centro e leste da Antártida e leste da Antártida. Como
mostrado no mapa dos percentis, não havia áreas terrestres ou oceânicas
com temperaturas recordes em maio.
Regionalmente, a América do Sul e a Ásia tiveram seu terceiro mês
mais quente já registrado. Enquanto o Ártico teve seu quarto mais
quente, a América do Norte e a África tiveram seu sexto e empatado em
maio mais quente, respectivamente. A Europa, a Oceania e a região
antártica tiveram um maio mais quente do que a média; no entanto, sua
temperatura de maio não se classificou entre os 10 maios mais quentes já
registrados. Outras regiões com calor significativo em maio incluíram
as regiões do Caribe e do Havaí, que registraram seu quinto e sétimo
mais quentes maios já registrados, respectivamente. Por favor, note que
ambas as regiões incluem as ilhas e o seu oceano circundante.
Na atmosfera, as anomalias de pressão de altura de 500 milisbaro se
correlacionam bem com as temperaturas na superfície da Terra.
A posição média das cristas de nível superior de alta pressão e
calhas de baixa pressão - retratada por
anomalias de altura positiva e negativa de 500 milibares no mapa – é
geralmente refletida por áreas de positivo e
anomalias de temperatura negativa na superfície, respectivamente.
Temperatura sazonal: Março-Maio 2025
Globalmente, a temperatura da superfície de março-maio de 2025 foi de
1,22oC (2,20oF) maior do que a média do século XX e foi a segunda mais
quente já registrada (de 176 anos). Esse valor foi apenas 0,05oC
(0,09oF) mais frio do que o recorde estabelecido apenas no ano anterior
(2024). Os dez períodos mais quentes de março a maio ocorreram desde
2015.
A temperatura da superfície terrestre global durante março-maiou foi a
mais alta já registrada, com uma temperatura de 1,96oC (3,53oF) maior
que a média. Este valor ultrapassou o recorde anterior estabelecido em
2016 por 0,04oC (0,07oF). A temperatura global da superfície apenas para
o oceano foi de 0,88oC (1,58o F) – a segunda mais alta já registrada.
Apenas março-maio de 2024 era mais quente (+1,00oC / +1,80oC).
O período de março-maio é a primavera meteorológica para o hemisfério
norte e outono no Hemisfério Sul. A primavera do Hemisfério Norte foi a
segunda mais quente já registrada, com uma temperatura de 1,54oC
(2,77oF) maior que a média. Este valor foi de 0,08oC (0,14oF) tímido de
amarrar o recorde estabelecido na primavera de 2024. O outono do
Hemisfério Sul também foi o segundo mais quente já registrado, com uma
temperatura de 0,90oC (1,62oF) acima da média. O outono de 2024 foi mais
quente a +0,92oC (+1,66oF).
O período de três meses de março-maio viu temperaturas generalizadas
mais quentes do que a média em grande parte do globo. As partidas de
temperatura mais altas, 2,0oC ou mais, foram observadas em porções
significativas da Ásia e nas regiões ártica e antártica. As temperaturas
recordes de março-maio foram especificamente observadas nas Ilhas
Britânicas e no oceano circundante, bem como em partes do arquipélago
ártico canadense, sul da Ásia e do Pacífico, índico, Atlântico e Oceanos
Antárticos.
Em contraste, as temperaturas mais frias do que a média de março-maio
estavam presentes em algumas áreas, incluindo partes do Oceano
Atlântico Norte, índia, o Oceano Antártico ao largo da costa do sul da
Argentina e Chile, e leste da Antártida. No entanto, nenhuma área
terrestre ou oceânica teve temperaturas recordes de março-maiola.
A região do Ártico, a América do Norte, a América do Sul, a Europa, a
África, a Ásia e a Oceania viram suas temperaturas de março-maio entre
as cinco mais altas de março-maio já registradas. Notavelmente, a
Europa, Ásia e Oceania tiveram seu segundo período mais quente de
março-maio registrado. A região do Ártico teve sua terceira primavera
mais quente. Embora a região antártica tenha experimentado um outono
mais quente do que a média, sua temperatura de outono não se colocou
dentro dos 10 primeiros outonos mais quentes já registrados.
Além disso, as regiões havaiana e caribenha também tinham uma
primavera quente. A região havaiana experimentou sua segunda primavera
mais quente já registrada, com uma temperatura de 1,02oC (1,84oF) maior
que a média. Isso foi superado apenas na primavera de 2017, que foi de
0,08oC (0,14oF) maior que 2025. A temperatura da primavera para a região
do Caribe empatou como a terceira mais quente já registrada.
Temperatura do Ano-Atualidade: Janeiro-Maio 2025
A temperatura média global da superfície para janeiro-maio de 2025
foi de 1,25oC (2,25oC) maior do que a média do século XX, resultando no
segundo período mais quente desde que o recorde da NOAA começou em 1850
(176 anos). Isso foi 0,05oC (0,09oF) mais frio do que o recorde
estabelecido no ano passado (janeiro-maio de 2024). A análise
estatística dos cientistas do NCEI indica que 2025 é muito provável
(caçar 99%) de se classificar entre os cinco anos mais quentes já
registrados.
Durante janeiro-maio de 2025, grande parte das superfícies terrestres e
oceânicas do mundo eram mais quentes do que a média. Temperaturas
recordes foram observadas em todo o Arquipélago Ártico canadense e no
oceano circundante, partes das Ilhas Britânicas e do oceano circundante,
o Oceano Pacífico central e ocidental, o Oceano Indico, o sul da
Austrália e pequenas áreas em toda a Ásia e Antártica Ocidental. Em
contraste, a Antártica oriental experimentou condições mais frias do que
a média durante este período de cinco meses.
O período de março-maio é a primavera meteorológica para o hemisfério
norte e outono no Hemisfério Sul. A primavera do Hemisfério Norte foi a
segunda mais quente já registrada, com uma temperatura de 1,54oC
(2,77oF) maior que a média. Este valor foi de 0,08oC (0,14oF) tímido de
amarrar o recorde estabelecido na primavera de 2024. O outono do
Hemisfério Sul também foi o segundo mais quente já registrado, com uma
temperatura de 0,90oC (1,62oF) acima da média. O outono de 2024 foi mais
quente a +0,92oC (+1,66oF).
O período de três meses de março-maio viu temperaturas generalizadas
mais quentes do que a média em grande parte do globo. As partidas de
temperatura mais altas, 2,0oC ou mais, foram observadas em porções
significativas da Ásia e nas regiões ártica e antártica. As temperaturas
recordes de março-maio foram especificamente observadas nas Ilhas
Britânicas e no oceano circundante, bem como em partes do arquipélago
ártico canadense, sul da Ásia e do Pacífico, índico, Atlântico e Oceanos
Antárticos.
Em contraste, as temperaturas mais frias do que a média de março-maio
estavam presentes em algumas áreas, incluindo partes do Oceano
Atlântico Norte, índia, o Oceano Antártico ao largo da costa do sul da
Argentina e Chile, e leste da Antártida. No entanto, nenhuma área
terrestre ou oceânica teve temperaturas recordes de março-maiola.
A região do Ártico, a América do Norte, a América do Sul, a Europa, a
África, a Ásia e a Oceania viram suas temperaturas de março-maio entre
as cinco mais altas de março-maio já registradas. Notavelmente, a
Europa, Ásia e Oceania tiveram seu segundo período mais quente de
março-maio registrado. A região do Ártico teve sua terceira primavera
mais quente. Embora a região antártica tenha experimentado um outono
mais quente do que a média, sua temperatura de outono não se colocou
dentro dos 10 primeiros outonos mais quentes já registrados.
Além disso, as regiões havaiana e caribenha também tinham uma
primavera quente. A região havaiana experimentou sua segunda primavera
mais quente já registrada, com uma temperatura de 1,02oC (1,84oF) maior
que a média. Isso foi superado apenas na primavera de 2017, que foi de
0,08oC (0,14oF) maior que 2025. A temperatura da primavera para a região
do Caribe empatou como a terceira mais quente já registrada.
Temperatura do Ano-Atualidade: Janeiro-Maio 2025
A temperatura média global da superfície para janeiro-maio de 2025
foi de 1,25oC (2,25oC) maior do que a média do século XX, resultando no
segundo período mais quente desde que o recorde da NOAA começou em 1850
(176 anos). Isso foi 0,05oC (0,09oF) mais frio do que o recorde
estabelecido no ano passado (janeiro-maio de 2024). A análise
estatística dos cientistas do NCEI indica que 2025 é muito provável
(caçar 99%) de se classificar entre os cinco anos mais quentes já
registrados.
Durante janeiro-maio de 2025, grande parte das superfícies terrestres e
oceânicas do mundo eram mais quentes do que a média. Temperaturas
recordes foram observadas em todo o Arquipélago Ártico canadense e no
oceano circundante, partes das Ilhas Britânicas e do oceano circundante,
o Oceano Pacífico central e ocidental, o Oceano Indico, o sul da
Austrália e pequenas áreas em toda a Ásia e Antártica Ocidental. Em
contraste, a Antártica oriental experimentou condições mais frias do que
a média durante este período de cinco meses.
Os mapas mostrados abaixo representam anomalias de precipitação apenas
terrestres e porcentagem de precipitação normal baseada no conjunto de
dados GHCN de estações terrestres.
Pode ter visto padrões de precipitação variados em todo o mundo.
Muitas regiões experimentaram condições mais secas do que a média,
incluindo partes da América do Norte e do Sul, bem como do norte da
Europa, sudoeste da Ásia, sul da Austrália e áreas na Rússia e na China.
O sul do Alasca, o leste dos EUA, o norte e o sul da América do Sul, o
norte e o sudeste da Austrália e partes generalizadas da Ásia tinham
condições mais úmidas do que a média. Dados preliminares indicam que o
globo de maio de 2025, aterrissado em média como um todo, teve o mês de
maio mais chuvoso no registro histórico, que se estende de 1979 até o
presente.
De acordo com dados preliminares do GPCP, a Ásia experimentou seu
maio mais chuvoso já registrado, superando o recorde de maio de 2022. A
África teve seu segundo maio mais úmido já registrado, após o recorde de
1991. A América do Sul registrou seu 10o maio mais chuvoso, enquanto as
regiões do Caribe e do Havaí tiveram seu mês mais seco já registrado.