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Opinião | Mais um acidente na Avenida 28 de Março: quando vamos discutir a verdadeira solução?

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Mais um acidente na Avenida 28 de Março. Mais um congestionamento. Mais uma equipe de socorro mobilizada. Mais uma família apreensiva. Infelizmente, a cena se repete com tanta frequência que parece ter sido incorporada ao cotidiano de Campos dos Goytacazes. Sempre que um novo acidente acontece, o debate costuma seguir o mesmo caminho: culpa-se o motorista, aponta-se o excesso de velocidade ou cobra-se mais fiscalização. Esses fatores realmente importam e não podem ser ignorados. Mas limitar a discussão a eles significa deixar de lado uma questão maior: como a cidade está sendo planejada para que as pessoas se desloquem? Uma cidade que depende quase exclusivamente do automóvel e da motocicleta acaba concentrando um volume cada vez maior de veículos nas mesmas avenidas. O resultado é previsível: congestionamentos, aumento dos conflitos entre diferentes modos de transporte e maior probabilidade de acidentes. A Avenida 28 de Março é um exemplo desse desafio. Ela se tornou um dos principais...

Violência em Guarus: o alto preço da exclusão social.

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Sempre que um novo homicídio é registrado em Guarus, o debate sobre segurança pública volta à pauta. Multiplicam-se os pedidos por mais policiamento, operações e ações repressivas. Essas medidas são importantes e necessárias. No entanto, limitar a discussão da violência à atuação das forças de segurança é ignorar uma realidade muito mais profunda e incômoda: a violência que assusta Campos dos Goytacazes é, em grande medida, fruto de décadas de exclusão social e abandono territorial. Guarus não se tornou uma região vulnerável por acaso. Ao longo de décadas, o crescimento populacional não foi acompanhado por investimentos proporcionais em infraestrutura, educação, mobilidade urbana, cultura, lazer e geração de emprego. Enquanto algumas áreas da cidade receberam sucessivos investimentos públicos e privados, grande parte dos bairros de Guarus permaneceu convivendo com carências históricas. O resultado dessa desigualdade é visível. Muitos jovens crescem em territórios onde as op...

O funeral que cruzou fronteiras: Khamenei, o Iraque e o erro que pode ter unido o Oriente Médio.

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Nesta quarta-feira, 8 de julho de 2026, o cortejo fúnebre do aiatolá Ali Khamenei deixou o solo iraniano e atravessou a fronteira rumo ao Iraque. Parada simbólica em Najaf e Karbala, dois dos endereços mais sagrados do islamismo xiita, antes do sepultamento final em Mashhad. O gesto não é apenas religioso. É geopolítico, calculado, e talvez revelador de uma das maiores derrotas estratégicas que Washington já produziu no Oriente Médio nas últimas décadas. A escolha da rota não foi acidental. Ao levar os restos mortais de Khamenei por Qom, Najaf, Karbala e, por fim, Mashhad, o establishment religioso iraniano desenhou uma peregrinação que amarra a morte do líder ao mito fundador do xiismo: o martírio do Imã Hussein em Karbala, há 1.300 anos. A mensagem implícita é clara: Khamenei não morreu como um governante qualquer, mas como um mártir cuja causa se funde à própria identidade xiita transnacional. Isso importa porque o público desse funeral não é apenas iraniano. Delegações ...

Do ouro ao futebol: Noruega repete a história e supera o Brasil também dentro de campo.

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Gigante nórdico elimina a Seleção nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 e expõe, mais uma vez, a dificuldade brasileira em manter protagonismo diante de "concorrentes menores" — um roteiro que o país já conhece bem fora dos gramados. Neste domingo (5), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, a Seleção Brasileira foi eliminada da Copa do Mundo de 2026 ao perder por 2 a 1 para a Noruega, nas oitavas de final. Erling Haaland, artilheiro do Manchester City, decidiu a partida com dois gols no segundo tempo; Neymar descontou de pênalti já nos acréscimos. Foi a queda mais precoce do Brasil em uma Copa desde 1990, quando a seleção caiu diante da Argentina também nas oitavas. O resultado prolonga um tabu incômodo: em cinco confrontos históricos, o Brasil nunca venceu a Noruega — são três derrotas e dois empates, com o episódio mais lembrado sendo a eliminação na fase de grupos da Copa de 1998. Chegando como favorita e com mais posse de bola ao longo do Mundial, a Seleç...

Profissionais da educação protestam em frente à Prefeitura de Campos contra projeto que transforma piso do Magistério em "complementação salarial".

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Profissionais da rede municipal de ensino de Campos dos Goytacazes realizaram, nesta quinta-feira (2), um ato em frente à sede da Prefeitura Municipal. A mobilização reuniu professores, pedagogos e demais trabalhadores da educação para reivindicar o cumprimento integral do piso salarial nacional do Magistério — e para denunciar o projeto de lei encaminhado pelo prefeito Frederico Paes, que a categoria classifica como um retrocesso na valorização dos profissionais da rede. Um "golpe" disfarçado de reajuste Na avaliação dos manifestantes, o texto enviado pelo Executivo à Câmara Municipal não representa a conquista que a Prefeitura tenta apresentar à opinião pública. Isso porque o projeto prevê o pagamento do piso do Magistério como complementação salarial, e não como incorporação real ao vencimento-base da categoria. Na prática, essa engenharia contábil significa que boa parte dos ganhos anunciados não se converte em direitos permanentes: não repercute integralmente...

Lula assina MP e Enamed passa a ser obrigatório para médicos no Brasil

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, em 19 de junho, durante evento em Divinópolis (MG), uma Medida Provisória que muda profundamente a formação médica no país. A partir de agora, o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) deixa de ser apenas um instrumento de avaliação de cursos e passa a ser um requisito obrigatório para quem quer exercer a medicina no Brasil. A assinatura aconteceu durante a inauguração do Hospital Universitário da Universidade Federal de São João del-Rei, com a presença dos ministros da Educação, Leonardo Barchini, e da Saúde, Alexandre Padilha. O que muda na prática Com a nova regra, o Enamed passa a ser aplicado obrigatoriamente em dois momentos da graduação: ao final do 4º ano, com caráter diagnóstico, servindo para identificar lacunas de aprendizagem e orientar as instituições de ensino; e na conclusão do curso, quando a aprovação se torna condição para o estudante se registrar no Conselho Regional de Medicina (CRM) e, assi...

Quando a saúde vira produto: uma reflexão sobre os planos de saúde.

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Há alguns dias pude presenciar a apresentação de um plano de saúde. Foi uma experiência interessante, cheia de gráficos coloridos, promessas de "cobertura completa" e uma linguagem de vendas que eu já conhecia de outros contextos — telefonia, streaming, academia. Uma coisa, porém, me chamou atenção de um jeito diferente: a naturalidade com que o serviço de saúde era tratado como um negócio. Não estou falando de nenhuma empresa em particular, nem de má-fé por parte de quem apresentava. O vendedor fazia bem o seu trabalho, dentro da lógica que lhe foi ensinada. O incômodo é justamente esse: existe uma lógica, um roteiro, um funil de vendas para algo que deveria ser, antes de tudo, um direito. O paciente que virou cliente Em algum momento da história recente, a pessoa que precisa de cuidado médico deixou de ser tratada apenas como paciente e passou a ser vista, também, como cliente. E cliente, no vocabulário do mercado, é sinônimo de ticket médio, de taxa de conversã...