Profissionais da rede municipal de ensino de Campos dos Goytacazes realizaram, nesta quinta-feira (2), um ato em frente à sede da Prefeitura Municipal. A mobilização reuniu professores, pedagogos e demais trabalhadores da educação para reivindicar o cumprimento integral do piso salarial nacional do Magistério — e para denunciar o projeto de lei encaminhado pelo prefeito Frederico Paes, que a categoria classifica como um retrocesso na valorização dos profissionais da rede.
Um "golpe" disfarçado de reajuste
Na avaliação dos manifestantes, o texto enviado pelo Executivo à Câmara Municipal não representa a conquista que a Prefeitura tenta apresentar à opinião pública. Isso porque o projeto prevê o pagamento do piso do Magistério como complementação salarial, e não como incorporação real ao vencimento-base da categoria.
Na prática, essa engenharia contábil significa que boa parte dos ganhos anunciados não se converte em direitos permanentes: não repercute integralmente em benefícios, gratificações, adicionais e aposentadoria, e pode ser suprimida ou reabsorvida mais facilmente em reajustes futuros. Para os profissionais da educação, trata-se de uma forma de cumprir a lei apenas no papel, sem garantir a valorização efetiva da carreira — o que os manifestantes definem como um verdadeiro golpe contra a educação pública de Campos.
Mais um capítulo do sucateamento
Os organizadores do ato reforçam que o projeto de lei não é um episódio isolado, mas parte de um cenário mais amplo de desmonte da rede municipal de ensino. Entre os problemas apontados pela categoria estão:
Salas de aula lotadas, muito acima do número recomendado de alunos por turma, o que compromete a qualidade do ensino e a atenção individualizada aos estudantes;
Escolas deterioradas, sem manutenção adequada, com estrutura física comprometida e riscos à segurança de alunos e trabalhadores;
Fechamento de unidades da educação do campo, que atinge diretamente comunidades rurais e dificulta o acesso à escola pública nessas regiões;
Falta de condições de trabalho, incluindo carência de materiais pedagógicos, de equipamentos e de suporte para o exercício da docência.
Para os manifestantes, esse conjunto de fatores mostra que a proposta de complementação salarial não é um problema pontual, mas se soma a uma política mais ampla de precarização da rede pública municipal.
O ato
Reunidos em frente à sede do governo municipal, os profissionais da educação cobraram uma resposta da Prefeitura e reforçaram que a categoria seguirá mobilizada até que o piso do Magistério seja pago de forma integral e incorporado ao salário, conforme determina a legislação federal — e não apresentado como um benefício variável e reversível.
A manifestação reforça um movimento que já vem se repetindo em diversas redes municipais do país, nas quais sindicatos e categorias docentes têm intensificado a pressão para que prefeituras cumpram, na prática e não apenas formalmente, a Lei do Piso Nacional do Magistério.
A reportagem segue acompanhando o desdobramento das negociações entre a categoria e a Prefeitura de Campos.
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