O funeral que cruzou fronteiras: Khamenei, o Iraque e o erro que pode ter unido o Oriente Médio.
Nesta quarta-feira, 8 de julho de 2026, o cortejo fúnebre do aiatolá Ali Khamenei deixou o solo iraniano e atravessou a fronteira rumo ao Iraque. Parada simbólica em Najaf e Karbala, dois dos endereços mais sagrados do islamismo xiita, antes do sepultamento final em Mashhad. O gesto não é apenas religioso. É geopolítico, calculado, e talvez revelador de uma das maiores derrotas estratégicas que Washington já produziu no Oriente Médio nas últimas décadas. A escolha da rota não foi acidental. Ao levar os restos mortais de Khamenei por Qom, Najaf, Karbala e, por fim, Mashhad, o establishment religioso iraniano desenhou uma peregrinação que amarra a morte do líder ao mito fundador do xiismo: o martírio do Imã Hussein em Karbala, há 1.300 anos. A mensagem implícita é clara: Khamenei não morreu como um governante qualquer, mas como um mártir cuja causa se funde à própria identidade xiita transnacional. Isso importa porque o público desse funeral não é apenas iraniano. Delegações ...