Casas Bahia, juros altos e a economia financeirizada: quando o dinheiro deixa de circular para alimentar o mercado financeiro.
O pedido de recuperação judicial das Casas Bahia, protocolado em 16 de agosto de 2026, é mais do que um episódio isolado de dificuldade empresarial. A crise de uma das marcas mais conhecidas do varejo brasileiro expõe as contradições de um modelo econômico no qual o custo do dinheiro pode se tornar tão elevado que passa a comprometer justamente aqueles setores responsáveis por movimentar o consumo, gerar empregos e fazer a riqueza circular pela economia. A companhia chegou à recuperação judicial com aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas e depois de registrar um prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Embora boa parte desse resultado negativo tenha origem em efeitos contábeis e ajustes extraordinários, o prejuízo ajustado também foi expressivo, de cerca de R$ 978 milhões. A empresa ainda anunciou fechamento de quase 300 lojas e redução de seu quadro de funcionários. É importante não transformar os juros na única explicação para a crise. O varejo tradic...