Da algazarra no HGG aos questionamentos sobre familiares de deputado no TCE-RJ.
Quem acompanha a política de Campos dos Goytacazes certamente se lembra da passagem do deputado estadual Rodrigo Amorim (PL-RJ) pelo Hospital Geral de Guarus (HGG). Na ocasião, o que foi apresentado como uma ação de fiscalização acabou ganhando contornos de uma verdadeira algazarra teatral, com câmeras, discursos, cobranças e forte exposição política dentro da unidade.
A cena teve repercussão justamente pelo tom performático da visita, que mais parecia um embate político diante das câmeras do que uma fiscalização técnica. O parlamentar fez críticas ao funcionamento do hospital e questionou a utilização dos recursos públicos.
Agora, o nome de Rodrigo Amorim volta ao debate por uma situação envolvendo familiares e o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).
Segundo reportagem publicada pelo site Metrópoles, a esposa do deputado, Fernanda Braga Mendes, e sua cunhada, Bianca Vasconcelos Pires de Amorim, foram nomeadas para funções no gabinete do presidente do TCE-RJ, Márcio Pacheco.
Ainda de acordo com o Metrópoles, as duas advogadas também teriam recebido do TCE-RJ o custeio de uma pós-graduação no exterior. O curso teria custo aproximado de R$ 100 mil para cada uma, conforme informações atribuídas à Washington & Lincoln University.
A reportagem informa ainda que Fernanda Braga Mendes está nomeada desde 2022 no gabinete de Márcio Pacheco e recebe cerca de R$ 28,4 mil mensais. Somados uma gratificação por acúmulo de cargo, de aproximadamente R$ 7,6 mil, e cerca de R$ 3,1 mil de vale-refeição, a remuneração mencionada chega a aproximadamente R$ 39,1 mil por mês.
As informações divulgadas pelo Metrópoles levantam questionamentos sobre os critérios utilizados pelo TCE-RJ para nomeações e para o custeio de formação acadêmica no exterior com recursos públicos, especialmente diante do vínculo familiar com um agente político.
É importante ressaltar que o parentesco, por si só, não comprova qualquer irregularidade. As circunstâncias precisam ser analisadas a partir dos atos administrativos, das atribuições dos cargos e das regras utilizadas pelo tribunal para concessão dos benefícios.
Mas a situação chama atenção pelo contraste.
De um lado, uma “fiscalização” no HGG marcada pela algazarra teatral e pela exposição diante das câmeras, com discursos sobre responsabilidade e utilização do dinheiro público. Do outro, informações divulgadas pelo Metrópoles sobre nomeações e benefícios envolvendo familiares do parlamentar dentro de uma das principais instituições de controle do Estado.
No fim, a questão que fica é simples: se a fiscalização deve ser rigorosa com os outros, também precisa ser quando os questionamentos chegam ao próprio círculo político.
E, nesse caso, mais do que discursos e câmeras, o que a sociedade espera são documentos, transparência e explicações.
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