Protestos na COP30: os limites do desenvolvimento sustentável no capitalismo.
A realização da COP30 reacendeu, mais uma vez, o contraste entre a retórica diplomática dos governos e corporações e a indignação crescente da sociedade civil organizada. Os protestos que tomaram as ruas de Belém não surgiram como ruído secundário do evento, mas como demonstração explícita de que amplos setores sociais já não acreditam que as soluções apresentadas dentro das conferências internacionais sejam capazes de enfrentar a crise climática em sua profundidade. A crítica central é conhecida, mas ganha novo vigor: há um limite estrutural para qualquer proposta de “desenvolvimento sustentável” enquanto as economias permanecerem organizadas pelos imperativos do capitalismo contemporâneo. De um lado, líderes estatais e executivos de grandes empresas reafirmam compromissos de neutralidade de carbono, planos de transição energética e metas de redução de emissões. Do outro, movimentos climáticos, organizações indígenas, juventudes urbanas e pesquisadores denunciam que tais metas são in...